A escondedora de facas.

Perdia a estribeira

Esquentava o clima

Discussão e água quente 

Boiando na cozinha

Nenhum deles mais percebia

A presença da criancinha.

Palavras grosseiras

Olhos esbugalhados 

Dentes cerrados

Corpos fervendo de raiva

Amor desfeito de gole em gole.

Tal fúria posta a mostra

Naquele show do horror

Vizinhos para a cena correndo

Curiosidade latente, omissão presente

E a criança cadê? 

Correndo e escondendo facas.

Seu coração gelado desconhecia 

O sentido daquela mão 

Que de manhã jogava dama

A noite virava o copo 

Virava a mesa

Perdia o rumo, a estribeira

Perdia o jogo.

Dia vai, dia vem tudo se repete

Todos ali refém da pressão 

Intrauterina, interpessoal 

Extraordinária imposições 

Que explodem emoções.

Na pura falta de temperamento 

Se faz o alimento da revolta

E quando todos partilham essa ceia

O drink que acompanha é

O álcool que ingere todo o ser.

Destilado o homem

Ou domina, ou é dominado

Toma a vida e sai da esquina

Ou vai ser só um viciado

E perder os que mais admira

Num virar de um copo.

Pára já de assustar a menina

Todo exemplo é multiplicado

Nem você merece essa sina.

Seja forte se firme na Terra

Todos temos humor que oscila

O cálice do mundo é pesado

Bem pior não dar colo a menina.

Um dos sinais (sintomas) da depressão é o alcoolismo. Pense e leia mais sobre isso. 

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7 comentários

  1. Crua e corajosa… texto forte, cortante e bonito. Parabéns por seu blog. Até escrevi novamente algo sobre depressão depois que estive por aqui.

    A vida é dura pra quem é duro, pra quem está desligado e pra quem é flexível… mas flexível torna viável transformarmos o impossível em possível.

    Muita luz e amor pra sua vida!
    Um abraSom
    Adriano

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  2. Adriano, motivação é o que sinto com mensagens como a sua. Obrigada. Procura transportar a dor e o amor para o papel, jeito de extravasar. Ter depressão não pode ser uma vergonha social, e irei lutar por isso estando bem ou mal. Muita luz para você também, abraços, Cris.

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  3. Oi Cris,
    Transportar para o papel é também o nosso papel para transpor a depre.
    Não, não é vergonha mesmo… se não nos assumimos além de comprimidos.
    Tamo junto nesta rede única laços e nós.
    Abraço

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  4. E a criança cadê?

    Correndo e escondendo facas.

    Seu coração gelado desconhecia

    O sentido daquela mão

    Que de manhã jogava dama

    A noite virava o copo

    …. perfeita tradução de sentimentos vividos! Parabéns pelas palavras!!!.

    Curtido por 1 pessoa

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