Desvendando a guerreira

Desde que fui diagnosticada com depressão moderada*, resolvi lutar ainda que sem forças e conhecimento da doença. Inadmissível aceitar viver nessas cinzas, se ainda há ar, há de haver razão de ser.

Em vez de só reclamação fui atrás de algumas ações para tentar escrever a minha própria história. Fui atrás de encarar esse bicho de frente, mostrar pra ele que também tenho dentes, estratégias e proteção.

Nem eu sabia o tamanho da guerreira que vive dentro de mim. Na depressão você passa a conviver muito mais tempo com você mesma. Você começa a questionar os sistemas vigentes. Você percebe que, quer queira ou não, o mundo continua em movimento…

Tanta profundeza, que se não ficar perdido por lá, certamente você renascerá de alguma forma. Digamos que existe o antes e depois da depressão. No durante, procuro conhecer o inimigo e usá-lo a meu favor. De que jeito?

Decidi escrever e publicar aqui meus sentimentos e pensamentos, bons ou falhos, críticos ou utópicos, assim libero o que me prende; assim pretendo ajudar algum outro alguém.

Também decidi pesquisar a fundo dessa doença mental que sempre tenta aprofundar suas garras. Primeiro conversei francamente sobre o assunto com as  pessoas mais chegadas, depois procurei ajuda profissional psicólogica e psquiatrica. Agora, leio muito, pesquiso, reflito, troco idéias e procuro reagir “dia-a-dia”. Alguns me dizem pará de pensar nisso, digo que não, quero saber no terreno que piso.

Lembrei-me de 16 anos atrás quando meu pai decidiu parar de beber, ia com ele nos Alcoólicos Anônimos e escutava o lema “só por hoje não beberei”, no meu caso com a depressão eu penso “só por hoje não cairei”.

Às vezes as circunstâncias são mais fortes, caio, mas continuo com as mãos estendidas. Não sei cairei frequentemente, não sei se sempre estarei com as mãos estendidas.

Só sei que hoje tento transformar a depressão em poesia, tento canalizar todas essas opressões em situações que possam me produzir valor de ser gente, de seguir em frente. Afinal, o que tenho é o hoje, o final ninguém sabe e ponto.

 

Quero compartilhar com vocês essa entrevista do Jornal O Globo, de maio de 2017, do psiquiatra David Vincent Sheehan, quem criou uma escala para *mensurar a depressão. Pontos que mais me chamaram atenção, além de toda explicação da doença:

O Brasil é o país mais deprimido da América Latina.

De 99 até 2013 os casos de depressão e ansiedade aumentaram 50% em todo mundo.

Em 2020 será a doença que mais afastará do trabalho.      

            Confira no link abaixo:

Há muito estigma na depressão.

 

 

 

 

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5 comentários

  1. Tenho certeza que compartilhando suas experiências você encontrará muita gente bacana. Há muitos blogs e autores legais, que irão apoiar a sua ideia e se interessar pelo seu assunto. Eu estudo psicologia e sei como a depressão é algo muito sério e que precisa de tratamento. É bom conhecer uma pessoa como você, que batalha para supera essa adversidade e parece estar muito bem, lidando bem com a situação. Continue sempre buscando melhorar, é possível viver bem e contornar esse problema.

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  2. Uma pessoa querida também já me falou para parar de ler sobre isso. Eu disse que não porque quanto mais a gente nega a doença, mais forte ela fica. Acho que falar de depressão pra mim virou um super poder. Nós não temos o mesmo tipo de depressão, então jamais falaria que conheço a sua dor, mas a respeito. Obrigada por transformá-la em poesia.

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