Verde, amarelo e vermelho

Claro que vou voltar sou insistente! A psicoterapia tem ajudado bastante, o antidepressivo também. Sei que tenho que começar o exercício físico “regularmente”… volte energia, volte. Reconheço que esses são os principais pilares para tratar a depressão. Os sinais verdes para prosseguir a jornada. Junto é óbvio com a aclamada alimentação saudável e carinho, muito carinho.

Por enquanto o sinal está vermelho. Vejo, falo e escuto limbo.

Escrevo, escrevo e escrevo a mesma palavra que me fez cair, há de me fazer levantar. Quando escrevo, aconteço! Cada letra um expurgo, em cada frase um reflexo dessa geração oprimida, desse sistema alienante. Deixo meu testemunho, saibam que minha dor não é só falta de realizações pessoais, mas também de participar do conluio da desigualdade social. A paz que não vejo em mim é reflexo dos conflitos internos e externos. Não entendo tanto individualismo, vaidade e cobiça. Como podemos alimentar a guerra, a fome, o racismo até nos dias atuais? A história já nos apresentou imensos exemplos de ignorância que não deveriam ser seguidos. Pois é o que fazemos com cada escolha irrefletida, com cada silêncio  omisso. Vejo um mundo deprimente…

Poucos observam o sinal amarelo, temos muitas Alices no País das Maravilhas, muitos Peter Pans que não querem crescer, poucos líderes confiáveis, poucos ídolos inspiradores… É gente, o que nos resta é ser  sentinela sempre, não desejo o buraco da depressão à ninguém. Proteja seus bens preciosos: vida, relacionamentos, saúde. Compartilhe sempre: gentileza e respeito fazem muito bem. Pequenos atos, grandes pessoas. Reflexão e ação são bem melhores do que depressão, pense nisso.

Fiquei parada no sinal vermelho um período, o tráfego estava intenso, eu bati eu fui batida. Teve morte, luto. Muitas pessoas além dos socorristas vieram me ajudar, fiquei surpresa com a solidariedade alheia. Por qual razão será que só aparecem e se unem quando o acidente é grave, quando há limbo? Na desgraça os homens se juntam numa irmandade reconstrutiva, vide os pós guerra. Mas porquê esperar o pior? Hoje em dia,o sinal amarelo está por todo lado, na destruição da floresta, nos testes nucleares, na falta de olho no olho.

Tenho que acreditar, a vida continua seu movimento. Sigo no trânsito, tenho medo, fiz um curso de direção defensiva, procuro ter mais atenção aos sinais. Ainda assim, prefiro ser pedestre, vou ultrapassar o sinal verde.

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